terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

HISTÓRIA DE ITAMBÉ - PARTE 9

                                     IGREJAS
                   ( Pesquisa realizada em 2013)

           Igreja Matriz Nossa Senhora das Graças de Itambé

             A primeira igreja a ser instalada em Itambé foi católica. De acordo com a Revista Comemorativa dos 50 anos da Paróquia Nossa Senhora das Graças de Itambé, de 25 de outubro de 2009, um cruzeiro foi erguido por picadeiros no local onde hoje está a Praça Rui Barbosa, durante o desmatamento. Em 1949, no dia 11 de outubro, foi montada uma barraca ao lado do cruzeiro e celebrada a primeira missa pelo Padre Antônio Lock.

Primeira Missa celebrada em Itambé
Fonte: Revista Comemorativa dos 50 anos da Paróquia Nossa
Senhora das Graças de Itambé, 2009
 
           A iniciativa popular, liderada pelo Senhor Mauro Arruda Villas Boas, construiu a primeira capela do município, em 1951, que ficou pronta em um mês. O terreno da capela foi doado pelo Sr. João Cortez Cappel, em 9 de Novembro de 1953, hoje no local, está a Praça Rui Barbosa. Com o aumento da população, a capela ficou pequena, então outra maior foi construída em 1955. A pedido do povo de Itambé e por intermédio do Bispo Dom Jaime Luiz Coelho, em 25 de outubro de 1959, foi criada a Paróquia Nossa Senhora das Graças de Itambé, na solenidade de instalação, foi empossado o Padre Eduardo Afonso Murante, vindo da Arquidiocese de Botucatu. A nova paróquia já contava com quatro capelas: São Miguel do Cambuí, Santo Antônio, Nossa Senhora de Fátima e Santo Anjo da Guarda. 

Segunda Capela Nossa Senhora das Graças de Itambé
Fonte: Família Santana

             Para manter as obras da Paróquia, os católicos promoviam festas tanto na zona urbana quanto na rural. Além do almoço, havia bingo e leilões, que sempre atraíram muitas famílias. Na zona rural ainda havia torneios de futebol que duravam o dia todo.
            Na cidade, as festas também faziam e ainda fazem muito sucesso. Centenas de pessoas participavam do almoço, bingo e leilão, tornando este evento um dos mais importantes do ano no município. Atualmente, como as capelas rurais foram desativadas, há festas apenas na cidade, uma no início de maio e outra no final de novembro.

Almoço da Festa da Soja, 1976
Fonte: Família Moreschi

      Graças a estas festas e às doações dos fiéis foi possível fazer várias reformas e adequações no templo da Igreja. Em janeiro de 1982, foi iniciada a construção da torre e a ampliação do local em mais ou menos 100 metros quadrados. As obras duraram nove meses, sendo inauguradas a 12 de outubro de 1982. Além da Igreja, foi construído ainda um salão paroquial de madeira em 1978, que deu lugar a um de alvenaria em 2009; o Centro Pastoral, com ajuda de alemães, inaugurado em 1997; a Cozinha da Pastoral da Criança e Secretaria Paroquial, em 2007.

Atual templo da Igreja Matriz Nossa Senhora das Graças de Itambé
Foto: Denizia Moresqui

         Os primeiros párocos da Paróquia Nossa Senhora das Graças foram: Pe. Eduardo Afonso Murante e Pe. Padre Aldo Lourenço Mathias. O líder que mais tempo ficou à frente da Igreja foi o Pe. Pedro Canísio Dapper, chegando a Itambé em 1972, vindo do Rio Grande do Sul, e permanecendo na Paróquia até 2000. Depois dele, trabalharam nesta obra os padres: Sidney Fabril, Sidneis Salazar, Gerson França e Pedro Jorge Delgado Bento. O pároco atual é o Monsenhor Hélio Takemi Sakamoto.

                           Congregação Cristã no Brasil

             De acordo com Oséias de Lima, Ancião da Igreja, a Congregação Cristã no Brasil foi fundada em 1948, na Água da Bonina, sítio do Senhor Damásio de Oliveira. Lá havia um grupo de quinze a vinte membros que construiu uma igrejinha de madeira. No início, membros da Congregação de Mandaguari atendiam a esta igreja. O primeiro cooperador em Itambé foi o senhor Paschoalino Furine. Nos primeiros cultos, já havia músicos instrumentistas louvando a Deus; entre eles, os filhos do Senhor Damásio. Na igreja também surgiu o primeiro professor de música de Itambé, o Senhor Francisco Pereira de Avelar que começou a lecionar em 1951. Mesmo no sítio, a Congregação chegou ao número de 220 membros que participavam dos cultos todos os domingos. O Ancião Oséias conta que sua mãe, ainda menina, morava na Fazenda Minerva e ia a pé com sua família até o templo. O pai do Ancião também ia a pé do Patrimônio Guerra até a Igreja. Além desta, havia uma no Guerra, na Água Gilberto e em outros locais onde moravam os membros.
             Oséias lembra que, quando estava com seis anos de idade, morava com os pais e cinco irmãos na Água Bonina. Para ir aos cultos, a família atravessava um pasto. Num domingo à tarde, eles passavam pelo pasto e havia ali uma vaca que fora apartada de seu bezerro e, por isso, estava muito brava. Quando o animal os viu, saiu em disparada na direção da família. Oséias disse que não sentiu medo, pois acreditava que o pai os defenderia. O Senhor Rafael de Lima colocou a esposa e os filhos atrás de si e esperou a vaca. Quando esta chegou perto, Rafael ergueu os braços e disse: “Senhor Jesus, nos cubra com teu sangue.” Neste instante o animal parou e ficou olhando para ele. De acordo com Oséias, o semblante dela foi ficando suave e lentamente voltou para o local onde estivera. Oséias afirma que se converteu a Deus neste dia. 

Músicos da Congregação Cristã no Brasil, em frente ao primeiro templo
no Distrito de Itambé, 1966
Fonte: Elizângela Pereira Avelar dos Santos

             Em 1953, foi construído o primeiro templo feito de madeira da Congregação no Distrito de Itambé, Rua Santo Indalécio, e o templo da Bonina foi fechado. Tanto os terrenos quanto o prédio foram adquiridos com coletas entre os membros. Todas as pessoas que prestam serviços no templo, desde a parte da limpeza até os anciões são voluntários, ou seja, não recebem salários ou gratificações.
           Em 1969, foi construído no lugar do prédio de madeira um de alvenaria, reformado e ampliado em 2005. Após o Senhor Paschoalino, foram cooperadores da Congregação os senhores: Pedro Avelar, Gervásio Correia de Assis e Oséias de Lima. Este último, recentemente foi escolhido como Ancião e atende a sete igrejas da região. Hoje, a Congregação Cristã no Brasil conta com 160 membros batizados em Itambé.

        Atual templo da Igreja Congregação Cristã no Brasil
Fonte: Oséias de Lima

                        Igreja Presbiteriana Independente

             Os trabalhos da Igreja Presbiteriana Independente começaram no mês de abril de 1958 na residência da família Rodolfo Schlatter,  Fazenda Suíça, sob a direção do Pastor Carlos Caetano Monteiro, pastor Metodista. Os cultos também eram realizados nos sítios dos irmãos Alberto Schlatter e Rodolfo Schlatter Filho; tempos depois, foram centralizados na fazenda Suíça devido à construção de um templo com capacidade para receber 300 pessoas sentadas. Os cultos eram realizados aos domingos, bem como a Escola Dominical, com média de 250 participantes.
        No dia 23 de fevereiro de 1969, a então Congregação foi organizada em pessoa jurídica, denominando-se Igreja Presbiteriana Independente de Itambé, com sede ainda na Fazenda Suíça.
        Anos depois, sem data definida, os trabalhos começaram na cidade de Itambé, onde se encontram até os dias de hoje, ou seja, na rua Dr. Lafayete Grenier, sob a direção do Pastor Marcos Gonçalves Marinho.

Templo da Igreja Presbiteriana Independente
Foto: Denizia Moresqui

                         Igreja Presbiteriana Renovada

         De acordo com a Senhora Sebastiana Meirelles Pereira, A Igreja Presbiteriana Renovada surgiu com a divisão da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Algumas pessoas aceitaram as renovações pelo Espírito Santo e outras mantiveram suas doutrinas. Em 1974, a Igreja Presbiteriana Independente era composta por 36 famílias e se dividiu ao meio, ficaram 18 famílias na Igreja Presbiteriana Independente e 18 famílias fundaram a Igreja Presbiteriana Renovada. Dentre os fundadores da IPR estão: Sr. Rodolfo Schlatter e sua Esposa Encarnacion, Sebastiana Meirelles Pereira, Tereza do Nascimento dos Santos, entre outros. Depois se tornaram membros os irmãos Geraldo e Pedro Costa Vieira. O Pastor Nilton Tuller foi o primeiro dirigente da IPR de Itambé. 

Primeiro templo da Igreja Presbiteriana Renovada de Itambé
Fonte: Família Cardim

         Na década de 80, com ajuda dos membros e da Prefeitura Municipal de Itambé, gestão de Antônio Rodrigues Machado e Mário Forastieri, um novo templo de alvenaria foi construído na Rua Dr. Lafayette Grenier. O Pastor Adauto da Silva, atualmente, dirige a Igreja.

                                 Centro Espírita Pai Jacob

         No dia 7 de julho de 1958, na residência do Senhor Osvaldo Fernandes da Silva, Avenida São João, reuniu-se um grupo de pessoas com o intento de fundar um Centro Espírita no Município de Itambé. Então foi eleito o diretório do centro, tendo como Presidente o Senhor Simão Persona, primeiro tesoureiro: Lourenço Giraldelli, segundo tesoureiro: Pedro Perez Zurrita, primeiro secretário: Luiz Fernandes da Silva e segundo secretário: Erotides da Veiga. O presidente se pôs à disposição em tudo para a construção de um prédio para o funcionamento “Centro Pai Jacob”. O Senhor Deversi Persona, doou o terreno, na Rua Luiz Lopes, 408, se comprometendo a passar a escritura definitiva para o centro.  Ficou decidido que anualmente seriam realizadas assembleias para tomadas de decisões e, a cada dois anos, haveria eleição da diretoria da Casa espírita.
        Em 8 de abril de 1987, na sede do Centro Espírita  realizou-se uma assembleia geral, com objetivo de aprovação do estatuto, eleição e posse da Diretoria Executiva e do Conselho Deliberativo, pois apesar de ter sido fundado em 1958, não estava totalmente legalizado, pois não havia registro na sua ata de fundação. Assim foi apresentado o estatuto, lido pelo primeiro secretário, sendo aprovados por todos os presentes, sendo transcrito em ata.
       Desde 1998, o Centro Espírita é presidido pelo Senhor Geraldo Naves  dos Reis, vice-presidente: Sonia Maria Cumani Monteiro Chicrala, primeiro tesoureiro: Vitorina Giraldelli Dolce, primeiro secretário: Mario franco dos Reis, Conselho Deliberativo é composto pelos irmãos: Francinilda Franco dos Reis, Adelair Franco dos Reis, Faustino Franco dos Reis, Isabel Iayami Funaki dos Reis, Alan Franco dos Reis, Ema Cunha dos Reis, Edson Nunes Faria  e Aparecida F.  de Faria. 

Centro Espírita Pai Jacob
Foto: Denizia Moresqui
   
             
Encarte confeccionado para a Comemoração dos 20 anos do Centro Espírita Pai Jacob
Fonte: Eurípedes Mariano da Silva


                             Igreja Luterana

          Os luteranos, descendentes de alemães, da família Bogenschneider, também trouxeram sua religião a Itambé. Seus cultos eram realizados na casa de Frederico Wegner. Nos anos 70, adquiriram um terreno, na esquina da Rua Santo Indalécio com a Ver. Antônio Belaski Garcia, e construíram o templo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil de Itambé Paróquia de Maringá. O Pastor responsável era Clifford Biel.

Membros e Pastor Biel no interior da Igreja Luterana
Fonte: Mônica Osvaldo do Nascimento

                     Igreja Assembleia de Deus

           As famílias de Vanildo de Souza Leão e José de Moura fundaram a Assembleia de Deus. Joana de Oliveira Vicente, membro da Igreja, conta que na década de 50, os cultos eram realizados num barracão à Rua Lindolfo José da Silva, no local onde está instalada a Garagem da Prefeitura, o responsável pelos cultos era o Pastor Miguel Monteiro. O prédio era alugado, depois os fiéis e a sede da Igreja em Maringá adquiriram um terreno na saída para Akidaban e construíram um templo de madeira. Vários pastores passaram pela Assembleia. A Igreja chegou a 150 membros batizados, sem contar as crianças e adolescentes.
           Como havia muitos membros na Fazenda Santa Cecília e o deslocamento até a cidade era difícil, foi fundada uma Congregação naquele local.
           Na década de 80, o templo da Igreja que ficava na saída para Akidaban foi vendido, com este dinheiro, mais um montante levantado pelos fiéis e a sede de Maringá, foi adquirido um terreno na Rua Santana, atual Rua Dr. Lafayete Grenier. A construção do novo templo foi feita pelos membros que se juntavam em mutirões nos fins de semana. A igreja era pequena, por isso, tempos depois foi construída uma maior. Atualmente, a Igreja possui cerca de cinquenta membros conduzidos pelo Pastor Clóvis.

Igreja Assembleia de Deus
Foto: Denizia Moresqui

                       Igreja Adventista do Sétimo Dia

         De acordo com Rumico Matukita Giraldelli, conhecida como Massako, a Igreja Adventista do Sétimo Dia iniciou seus trabalhos em Itambé entre os anos de 1972 e 1973. O Senhor Joaquim Lopes, membro da Igreja, doou um terreno onde foi construído o primeiro templo de madeira. Nesta época, a igreja contava com sessenta membros.
         Em 1985, o templo foi reformado com doações do povo de Itambé e dos membros da Adventista. O novo templo foi feito em alvenaria com ajuda dos funcionários da Prefeitura Municipal de Itambé, gestão de Antônio Rodrigues Machado e Mário Forastieri.  Outra reforma foi feita em 2011 e 2012.

Primeiro templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Fonte: Rumico Matukita Giraldelli

                              Avivamento Bíblico

                 A Igreja Avivamento Bíblico iniciou o Ministério em Itambé no ano de 1966, na Rua São Pedro, num templo de madeira. Era coordenada pelo Pastor Deusdete Oliveira. Atualmente está localizada na Rua Santo Indalécio, nº 1308, sob a direção do Pr. Wekson Quing de Souza Filho.

Templo da Igreja Avivamento Bíblico
Foto: Denizia Moresqui
 
                   Salão do Reino das Testemunhas de Jeová

            As obras das Testemunhas de Jeová iniciaram neste Município em 1969 pelo Ancião Osmar Figueiredo. O templo era situado na Rua Santana, atual Rua Dr. Lafayete Grenier, mas a casa usada pelos membros era alugada. Em 1977, o templo teve o maior número de membros, ao todo 27 publicadores. Atualmente, os Anciões da congregação são Edson Luiz Ferreira e Carlos Alberto Souza e as reuniões realizadas em sede própria no Conj. Lucindo F. de Lima.

Salão do Reino das Testemunhas de Jeová
Foto: Denizia Moresqui

                           Igreja Deus é Amor

         A Igreja Pentecostal Deus é Amor foi fundada aqui em 1996 ao lado da Praça Coração de Jesus pelo Pastor Luís Jacinto de Maringá. Depois conduziram a Igreja a Irmã Adenilde Cerpa e pelos Irmãos Cícero e Horácio, ambos de Maringá. Hoje é dirigida pelo Irmão Clodoaldo, morador de Itambé.

Igreja Deus é Amor
Foto: Denizia Moresqui

                   Igreja Internacional Aliança com Cristo

           A Igreja Internacional Aliança com Cristo nasceu em Itambé no ano de 2004. Tudo começou na sala de uma casa. Os responsáveis foram os pastores Geremias Anacleto de Meira e Francielle da Silva Meira. Eles vieram de Maringá, enviados pelo Pastor Márcio Batista, presidente da Aliança com Cristo. Francielle lembra que no início eram só os dois para fazer a evangelização, com muito esforço e a ajuda de Deus.
           Os primeiros membros da Igreja foram: Ivanilde e João Paulo, Cleuza Marques, Tereza Valentim, Eva, Elaine, Luciana Pereira, Josefa, Geraldo Magela, Ilma e Antônio, Ednéia e Albari. Todos ajudaram na fundação da Igreja. Havia um ponto de culto na Vila Rural.
           Hoje, a Igreja está situada na Rua Tancredo Neves, em frente ao CMEI Sílvia Maria Braga Alves.

Igreja Internacional Aliança com Cristo
Foto: Denizia Moresqui

                       Igreja Só o Senhor é Deus

           Instalada em Itambé há mais de vinte anos, a Igreja Só o Senhor é Deus é dirigida pelo Pastor Alex Santana e conta com vinte e cinco membros. Antes, o formato do templo lembrava uma arca, mas atualmente sua fachada está sendo reformada.

Templo da Igreja Só o Senhor é Deus em reformas
Foto: Denizia Moresqui

               Igreja Cristianismo Decidido El Shaday

           A Igreja Cristianismo Decidido El Shaday começou em 1997, com a Prof.ª Rosa da Silva Oliveira, vereadora na época. De acordo com Rosa, no dia do seu batismo, recebeu a seguinte promessa de Deus: “Esforça-te e trabalhai, porque me edificarás uma casa, não temas, porque o meu Espírito habita em vós. Pois a glória da segunda casa será maior que a primeira.” Ageu: Cap. 1, vers. 8 e 24. Em 1999, junto com amigos e familiares, Rosa começa a fazer reuniões em sua casa e conhece os pastores Jorge e Izana Abeche, que passam a pastorear a Igreja. Mas em 2000, os pastores se mudam para os Estados Unidos e o grupo de fiéis se desfez. Rosa e sua família conheceram os pastores Celso e Vera da Igreja Cristianismo Decidido El Shaday de Maringá e passaram e frequentar os cultos naquela cidade aos domingos.
            Em 2001 foi formado o segundo grupo, liderado por Valéria A. S. Gonçalves, filha de Rosa. Este foi formado para os jovens em busca de libertação e restauração. Mas este grupo também se desfez. Então, em 2003, foi formado o terceiro grupo que foi crescendo em número de membros com a assistência dos pastores Celso e Vera. As reuniões aconteciam uma vez por semana na casa da Prof.ª Rosa. Os pastores Eli e Rose Morais também auxiliavam o grupo. Em 2004, com quarenta pessoas, o grupo passa a frequentar a Igreja em Maringá, aos domingos, com um ônibus cedido pela Prefeitura Municipal de Itambé. No ano seguinte, Rosa divide o discipulado com suas filhas Valéria e Vanessa de Oliveira, já que estavam sem pastores. Mas em 2006, o Pastor Marcos Alves, a pedido do Pastor Eli, assume o grupo, dividindo o discipulado em três. Em junho do mesmo ano, foi inaugurada a Igreja Cristianismo Decidido El Shaday de Itambé. Atualmente, a Igreja é dirigida pelos pastores Valdeir e Dulce Valéria Alves dos Santos.

Igreja Cristianismo Decidido El-Shaday
Foto: Denizia Moresqui

                  Igreja Pentecostal Missionário Videira

          Em julho de 2008, por motivos alheios à sua vontade, a Professora Rosa da Silva Oliveira desmembra-se da Igreja Cristianismo Decidido El Shaday. Sabendo que a obra de Deus não pode parar, um novo grupo inicia-se em sua casa.
            Numa visita à Igreja Pentecostal Missionária Videira de Floresta, do Pastor Mússio Gongora, é entregue à Professora Rosa a seguinte promessa de Deus: “a glória da segunda casa será maior do que a da primeira, pois neste lugar darei paz.” (Ageu, 1:24). E por motivos desses que não se explicam, Rosa lidera o grupo com a cobertura espiritual do Pr. Mússio, que vem à casa da Professora uma vez por semana para realizar cultos. O Pastor Odair e sua esposa Rosângela da Igreja P. M. Videira de Iguatemi também auxiliam neste trabalho.
           Em maio de 2011, o novo templo da Igreja Pentecostal Missionária Videira é inaugurado em Itambé, com o tema “Eis que farei em ti novas todas as coisas”. Segundo a Professora Rosa, as promessas de Deus têm se cumprido na vida dos membros da Igreja dando paz a todos, pois de acordo com as Escrituras: “Eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la.” (Jeremias, 1:12).


Igreja Pentecostal Missionária Videira
Foto: Denizia Moresqui



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

HISTÓRIA DE ITAMBÉ - PARTE 8



       SAÚDE


           O primeiro médico a morar em Itambé foi o Dr. Lafayette Grenier, natural de Curitiba. Formado na Universidade Federal do Paraná, casou-se com a Professora Yara Nobre de Almeida Grenier. De Curitiba, se mudaram para Cornélio Procópio à procura de um campo de trabalho menos saturado do que o da capital. Neste período, o casal conheceu a família Lopes. O Sr. Luís Lopes, dono de uma serraria em Itambé, convidou o Dr. Lafayette para conhecer o Patrimônio. Encantado com a natureza do lugar, o médico resolveu morar aqui. A mudança ocorreu em 1951, quando Itambé ainda estava coberta pela mata virgem e habitado por uma rica fauna. Dez anos depois, ele começou a construir um hospital, num terreno doado pelo Senhor Simão Persona, que ficou pronto em 1962, e foi denominado Hospital Santa Izabel. Nesta época não havia nenhum sistema público de saúde, como o SUS. No entanto, Dr. Lafayette não deixava de atender ninguém por falta de pagamento. Quem não tinha dinheiro pagava com galinha, porco ou outro produto. Quem não possuía nada, não pagava e mesmo assim era atendido.

Doutor Lafayette Grenier e sua família, 1952
Fonte: Maria Helena Zampar dos Santos

          Dr. Lafayette e o Dr. Jurandir eram os únicos médicos da região para atender a uma população que chegou, em números não oficiais, a trinta e cinco mil habitantes. O Dr. Jurandir atuou por pouco tempo no Município. Depois o Dr. Lafayette precisava fazer o trabalho praticamente sozinho. Ele enfrentava muita lama e poeira, andando de Jeep, para prestar assistência médica aos moradores da zona rural. Outros médicos até vieram trabalhar com ele nesta época, mas não aguentaram as dificuldades advindas da falta de infraestrutura. De acordo com Guilherme de A. Grenier, filho do Dr. Lafayette, o que manteve o pai em Itambé foi o amor por esta terra. Ele nunca expressou desejo de deixá-la, por se sentir realizado aqui. Como médico, podia exercer sua profissão, como um “menino” podia desfrutar da natureza, o que não teve a chance de fazer quando criança, por viver na capital nesta fase da vida. Além disso, o respeito e a gratidão do povo para com ele eram frequentemente expressos em forma de elogios e atitudes que o conquistaram.

Hospital construído pelo Dr. Lafayette Grenier
Fonte: Prefeitura Municipal de Itambé

          Outra dificuldade enfrentada pelo médico era a falta de enfermeiras com formação técnica ou acadêmica. Quando precisava fazer alguma cirurgia, contava com a ajuda de sua esposa, Yara. Ela fazia o papel de instrumentadora. Muitos itambeenses nasceram pelas mãos do casal. O Doutor também ensinou a função de enfermeira às leigas para que o ajudassem. Dona Raimunda Clemente de Souza trabalhava como cozinheira do hospital, quando faltavam enfermeiras para o serviço, ela também assumia esta função. Como as eventualidades eram constantes, deixou a cozinha e tornou-se enfermeira definitivamente. Esta profissão também foi escolhida por suas filhas, Maria José Clemente da Silva e Maria Aparecida Clemente da Silva.
           O médico também ensinava os procedimentos de partos às pessoas que se dispunham a ajudá-lo. Uma delas foi Izolina de Andrade, mais conhecida como Dona Júlia. De acordo com sua filha, Lídia Novaes Amante, Nega, Dona Júlia saiu do interior de São Paulo e chegou a Itambé em 1957. Aqui trabalhou na lavoura. Como nasciam muitos bebês no Distritro, ela logo se interessou em ajudar as mães, trabalhou um semana com o Dr. Lafayete e já aprendeu o procedimento. O primeiro parto que realizou foi em sua própria filha, Nega, quando esta deu à luz ao seu filho Ademir Novaes Amante, em1960. Dona Júlia realizava partos na zona urbana e rural. Às vezes, acabava de chegar em casa, após dar assistência a um nascimento, e já havia pessoas esperando para levá-la a outra parturiente. Ela perdeu as contas de quantas crianças ajudou a trazer ao mundo. A parteira não recebia pelo trabalho, mas algumas pessoas lhe davam presentes. Para se locomover aos lugares mais distantes usava cavalos e charrete. Ela não tinha nenhum instrumento próprio para este trabalho, usava o que havia na casa da parturiente. Dona Júlia amava este ofício, trabalhou como parteira até aos 85 anos, faleceu em 5 junho de 2008.
          Maria Conceição Maldonado dos Santos, ex-moradora de Itambé, se recorda de que Dona Júlia fazia muitos partos na zona urbana e rural de Itambé. Debaixo de sol, de chuva, de madrugada, lá estava ela com seu paletó surrado ajudando as mulheres a darem à luz. Maria Conceição disse ainda que a parteira era uma pessoa simples, mas dava às pessoas orgulho de serem itambeenses. Vera Lúcia G. Moresqui lembra que Dona Júlia também gostava de cozinhar em festas e ajudava em tudo o que fosse preciso sem receber nada por isso.

Dona Júlia ( Izolina de Andrade)
Fonte: Prefeitura Municipal de Itambé

           Dr. Lafayette não podia contar com exames laboratoriais para diagnosticar doenças. Ele baseava-se no conhecimento adquirido na universidade e em sua experiência. Através dos sintomas expressos pelo paciente, o médico descobria qual era o seu mal. Até câncer, ele conseguia diagnosticar. Neste caso o paciente era encaminhado ao Hospital das Clínicas de São Paulo. Frequentemente, os médicos deste hospital enviavam cartas parabenizando Dr. Lafayette pela precisão no diagnóstico das doenças. A Srª. Vitorina Dolce confirma este fato dizendo que seu modo de examinar era tão bom que parecia que ele tinha usado aparelhos para auxiliá-lo. O pai de Vitorina estava com uma dor no abdômen, tomou vários remédios, mas a dor não passou. Então foi se consultar com o Dr. Lafayette. O médico, só por ouvir as queixas do paciente e examinar o local da dor, constatou que ele estava com câncer.
          Apesar da falta de recursos, o médico tentava prestar um bom atendimento a todos. Quando o caso era grave, ele sofria junto com o paciente.  
         Na gestão de Misdei Moreschi e Sócrates da Veiga, foi construído o Posto de Saúde, a inauguração contou com a presença do Secretário da Saúde do Estado, Dr. Arnaldo Faivo Busato. Então Dr. Lafayette começou a atender também nesta unidade de saúde, onde trabalhou até os últimos dias de vida, falecendo em 1986. Guilherme afirma sobre o pai:

       “O lugar dele era Itambé. Eu acredito que, se hoje ele estivesse vivo e fosse pra começar a vida de novo em uma cidade, ele começaria novamente aqui em Itambé, tanto ele quanto minha mãe.”

Doutor Lafayete em frente ao Posto de Saúde
Fonte: Prefeitura Municipal de Itambé

          De acordo com Laura de Avevedo Coutinho, o hospital foi reinaugurado em setembro de 1974, com o nome de Associação Beneficente de Itambé. Laura era escriturária e recepcionista, Maria de Lourdes Bianchessi e Maria eram enfermeiras, Olga e Jacira trabalhavam na limpeza, Dona Júlia era cozinheira e o Senhor Gonela era o administrador e cuidava do almoxarifado. Nesta época, atendia no hospital o médico Josail Torres Galino. O presidente da Diretoria da Associação era o Senhor Armando Lourenço Lima.

Funcionários da Associação Beneficente de Itambé
Fonte: Laura de Azevedo Coutinho

          Outro grande profissional da saúde em Itambé o farmacêutico Mauro Nakamura. Os irmãos de Mauro adquiriram um lote de terras na região da Água do Móoca. Ainda como estudante de farmácia, Mauro veio a Itambé pela primeira vez em junho de 1948, durante as férias da faculdade em Ribeirão Preto, para conhecer o distrito. Como gostou muito do lugar, depois de formado, em novembro de 1950, decidiu vir para Itambé, com toda a família, abrir uma farmácia. 

Ao centro, o Sr. Mauro Nakamura

O Sr. Mauro conta que as dificuldades para viver aqui eram muitas. Em época de chuvas, gastava-se uma semana para ir de Mandaguari à Londrina, onde se compravam medicamentos. Em tempos de seca, a poeira era tamanha que encobria toda a visão do motorista. Outro fator que dificultava o serviço era a abertura de firma que só poderia ser feita na Capital Federal. Os documentos demoravam até um ano para ficarem prontos. Para minimizar o problema, os escritórios de contabilidade contratavam correspondentes que davam agilidade ao serviço.

Farmácia e venda da Família Nakamura, início da década de 50
Fonte: http://www.japao100.com.br/perfil/506/galeria/3059/

          O farmacêutico ajudou Dr. Lafayette Grenier em muitos atendimentos, especialmente em partos. Segundo Mauro Nakamura, estes atendimentos eram feitos geralmente por parteiras. Em cada bairro rural existia uma mais experiente. Caso ela não conseguisse fazer o procedimento, o médico era requisitado e acompanhado pelo farmacêutico. Como havia muitos nascimentos e a locomoção era difícil, Mauro disse que houve noites que ele e o Dr. Lafayette andavam toda a madrugada para atender as mulheres grávidas. Algumas crendices populares atrapalhavam o trabalho dos profissionais da saúde. O marido de uma gestante caminhou a pé por vinte quilômetros até a casa do Dr. Lafayette à procura de ajuda. O médico chamou Mauro para que este levasse soro plasma, pois a mulher estava com hemorragia. Era Quinta-Feira Santa e, após a cerimônia religiosa, o povo tinha o costume de bloquear a estrada com paus e troncos. Então foi preciso que o esposo, o médico e o farmacêutico fossem retirando os obstáculos por todo o trajeto até a casa da mulher, o que atrasou muito a viagem. Quando chegaram, ela já estava quase morta. O Dr. Lafayette disse para Mauro aplicar o soro. O farmacêutico tinha entregado o frasco do soro ao marido dela durante o trajeto, mas o homem o perdera. Não deu tempo de voltar para procurá-lo e a mulher faleceu. Na volta para casa, o soro foi encontrado ao lado da porteira.

Família Nakamura na Drogaria Nakafarma
Fonte: Família Nakamura
       
          Em outro atendimento, mais uma crendice popular atrapalhava o atendimento. Chegando à casa da gestante, Mauro ouviu uma batucada ensurdecedora. As mulheres faziam este barulho por acreditarem que ele facilitaria o parto. Então o farmacêutico pediu para que parassem e elas concordaram. Mas, mesmo ele explicando que estas crendices não tinham fundamento científico, não adiantava. Pois o poder da tradição era mais forte que o da ciência.
           Para Mauro Nakamura, o caso mais difícil que atendeu foi de uma mulher que morava na propriedade do Sr. Modena, na barranca do Rio Ivaí. Ele e o Dr. Lafayette foram até o local atendê-la. Mesmo após várias horas de trabalho de parto, a criança não nascia. Então o médico pediu a Mauro que a levasse até Mandaguari para que pudesse ser submetida a uma cesariana. Ele acreditava que o bebê já estava morto, mas era preciso salvar a mãe. O médico não pôde ir junto, mas deixou sua maleta com Mauro. No caminho, a mulher entrou em trabalho de parto. O farmacêutico parou o Jeep, a cobriu com um lençol e fez o parto ali mesmo. Infelizmente, como predissera Dr. Lafayette, a criança estava morta. Acabado o parto, Mauro levou o casal até o hospital de Marialva, deu-lhes algum dinheiro e entregou a paciente aos cuidados do Dr. Pedrinho. 
            De acordo com o pioneiro João Naujalis, o Doutor Lafayette e Mauro Nakamura foram extremamente importantes para a população de Itambé. Na palavras de Naujalis:

    “Eles foram os pais do povo, deram a vida pelo povo de Itambé, cuidando de todos.”

                  Primeiro Hospital de Itambé

Interior do primeiro hospital de Itambé
Foto: Denizia Moresqui

         Por volta de 1961, chegou a Itambé o médico Antônio Godinho Machado. Ele instalou seu consultório no prédio construído pelo Sr. José Gagui, na Rua Santana. O médico pediu apoio ao Sr. Misdei Moreschi, proprietário de serraria na época, e construiu o primeiro hospital da cidade, onde hoje funciona o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Além do Dr. Godinho, também trabalhou neste hospital o Dr. Hugo, um boliviano. A unidade de saúde atendeu à população durante oito ou dez anos. Alguns equipamentos hospitalares da época permanecem guardados até hoje no prédio, como maca, seringas, armários de remédios, estufa, entre outros. A Senhora Frida M. Bianchessi foi atendida pelo Doutor Godinho quinze dias depois da inauguração do hospital e lembra que estava com fortes dores no abdômen. O médico a examinou apenas por toques de mãos, já que não havia equipamentos que ajudassem nos diagnósticos. 



Equipamentos e instrumentos do primeiro hospital de Itambé
Fotos: Denizia Moresqui

            Depois Dr. Godinho comprou cotas do Hospital São Marcos, onde passou a atender com o Dr. Said Ferreira e outros colegas de profissão. Mais tarde, tornou-se sócio do Hospital Maringá. Ele também foi presidente do time de futebol Grêmio Maringá, chefe da 15ª Regional de Saúde de Maringá, chefe de gabinete do Secretário de Saúde do Paraná, Dr. Arnaldo F. Busato. Atualmente, o Dr. Godinho é diretor clínico do Hospital Municipal de Paranhos, Mato Grosso do Sul.

Dr. Antônio Godinho Machado
Fonte: Família Lopes

         Além das farmácias da zona urbana, no Patrimônio Santo Antônio (Guerra), também havia este comércio. Um dos donos foi o Sr. Alcides Benossi. Ele chegou aqui com seu pai em 1951. A família adquiriu um lote de terras onde plantava feijão, milho e café. Mas Alcides decidiu trabalhar como atendente numa farmácia, onde aprendeu a fazer manipulação de medicamentos. Por volta de 1958, o dono do comércio mudou-se para Cambuí e Alcides comprou o estabelecimento. Ele lembra que as enfermidades mais comuns eram: gripe, cólicas de rim, gastrite, disenteria e catapora nas crianças. A penicilina era o remédio para quase tudo. Havia vacinas para difteria, tétano e coqueluche, conservadas em geladeiras movidas a querosene. Mas estas não eram fornecidas pelo governo e sim vendidas na farmácia. Mesmo com poucos recursos na área de saúde, a mortalidade infantil era baixa. O Sr. Alcides conta que ajudou o Dr. Lafayete a realizar dois partos na região do Guerra. Lá, também havia parteiras para realizar este trabalho. O farmacêutico prático lembra que uma delas, conhecida como Dona Pina, realizou setenta e dois partos num único mês.
             Um sério problema enfrentado pela população eram as picadas de cobra. Toda vez que acontecia um acidente com estes animais, era preciso ir à Londrina buscar o soro antiofídico, o que, com a melhoria das estradas, demorava cerca de um dia.
            Uma história curiosa envolvendo o Sr. Alcides é contada por Olímpio Bianchessi. Este pioneiro lembra que se mudou um menino doente para sua propriedade no Bairro Catarinense. O pai contava que ele fora desenganado pelos médicos. Então Olímpio decidiu leva-lo até o Guerra para que Alcides o examinasse. O farmacêutico prático disse que havia remédio para o mal, mas era caro. O Sr. Olímpio se propôs a pagar por tudo. O tratamento foi iniciado e, dentro de poucos meses, o menino ficou curado.
             Em 1983, quando o Patrimônio Santo Antônio já estava quase vazio, o Sr. Alcides fechou a farmácia e mudou-se para a cidade de Itambé, onde acabou de vender todo o estoque de remédios.
             Havia outros farmacêuticos práticos na cidade, como Otto Moraes de Souza e seu irmão Armando, além de Geraldo Gonçalves Torres, Floriano Gawilik, que vendeu sua farmácia para José Godoy Bueno.
             Os primeiros dentistas, entre práticos e formados, foram: José Moreira, conhecido como José Dentista foi o primeiro a chegar a Itambé. Depois vieram Renato, Osvaldo Fernandes da Silva, João Godoy Bueno, Emílio Denz e Luiz Terematsu.

Atendimento na farmácia do prático Geraldo Gonçalves Torres
Fonte: Prefeitura Municipal de Itambé


                 CEMITÉRIO

             De acordo com o Dr. Mauro Nakamura, nos primeiros anos de colonização, quando as pessoas morriam, eram sepultadas em Marialva ou Mandaguari. Os corpos eram transportados em caminhões de toras, corpos de crianças foram transportados até sobre a capota da jardineira (ônibus), até que Itambé contasse com o próprio cemitério.
            A derrubada das matas do terreno do cemitério foi feita por Nicanor Amaral de Oliveira, João Rodrigues, Rafael Lopes e Osvaldo Rodrigues, em 1950. Como já mencionado anteriormente, a muralha foi feita de tabuinha por João Cortez Capel, entre 1950/51, provavelmente. O pioneiro Antônio Pelatti lembra que o primeiro corpo enterrado no cemitério de Itambé foi de uma mulher, seu nome seria Amábile, esposa de Osvaldo Henrique dos Santos, funcionário da serraria. Ela teria morrido de varicela ou parto, no início da década de 50. Ao lado deste túmulo, foram sepultados o Senhor Mário Machado, Pedro Pelatti e um morador da colônia bahiana, chamado Benedito.
             Mesmo já existindo cemitério em Itambé, o transporte dos corpos da zona rural até o distrito era difícil.  Dr. Mauro lembra que certa vez faleceu uma senhora que morava na margem esquerda do Rio Keller. Transportaram seu corpo de caminhão até a barranca do rio, mas não puderam atravessar, porque uma forte chuva elevou o nível das águas. Então foi preciso pedir ajuda ao Sr. Antônio de Souza, para que ele fosse de Jeep até o Bairro Catarinense buscar o único bote da região de propriedade do Sr. Pedro Bianchessi. Na ocasião o irmão de Pedro, o agrimensor José Bianchessi, estava hospedado lá e viera ao bairro com um Jeep militar. Então José emprestou o Jeep para que Argemiro e seu primo levassem o bote até o rio. Colocaram o caixão feito de tábuas de peroba dentro da embarcação e, com muita dificuldade, atravessaram o Keller. Depois, foram a pé até a cidade e trouxeram o Jeep da serraria para transportar o caixão e sepultar o corpo.
            Outra dificuldade frente aos falecimentos era a forma de avisar as famílias que moravam longe, devido à ausência dos meios de comunicação. Antônio Pelatti conta que um jovem recém-casado, chamado Daniel, veio de Cornélio Procópio sozinho trabalhar nas terras que seu pai adquirira. Enquanto Cravinho, como era conhecido, desmatava o lote para a construção de uma casa, houve um acidente com lascas de árvore que perfuraram seu abdómen e ele morreu. Pedro Bastos viu o corpo e foi falar com Pelatti para que pudessem avisar a família do rapaz. Não havia meio de transporte para que eles fossem até Cornélio Procópio. Então, para que o falecido não fosse enterrado sem o conhecimento dos parentes, Antônio Pelatti conseguiu carona no caminhão dos Linhares até Mandaguari; lá ele embarcou num ônibus para Cornélio Procópio. Quando chegou àquela cidade, Pelatti ficou perdido, pois não sabia onde morava a família de Daniel. Como já havia morado ali, lembrou-se de um conhecido, dono de venda, e foi pedir-lhe informações. O vendeiro conhecia o pai do rapaz e levou Pelatti até sua casa, chegando lá, o vendeiro apresentou-o ao pai de Daniel. Então Pelatti deu-lhe a triste notícia. O homem, desesperado, chegou a Itambé no outro dia para buscar o corpo do filho, que ainda estava no mesmo lugar do acidente.

João B. Paixão e Gibson Linhares Monteiro no portão do cemitério
Fonte: Prefeitura Municipal de Itambé

              A muralha do cemitério foi reestruturada em alvenaria na gestão de Gibson Linhares Monteiro e no primeiro mandato do Prefeito Mário Forastieri, o local passou por inúmeras reformas, como o calçamento das ruas e entre os túmulos, construção da capela, do necrotério, do cruzeiro e arborização.

Calçamento do cemitério
Fonte: Prefeitura Municipal de Itambé

ESCREVENDO O FUTURO

                                                                                 ESCREVENDO O FUTURO         Minha casa na fazenda era grand...